BNCC Computação: como colocar em prática na sua sala de aula?

11/09/25

Mais de 600 educadores acompanharam ao vivo um debate sobre como implementar a computação de maneira criativa e inovadora

A computação está cada vez mais presente no nosso cotidiano, moldando a forma como nos comunicamos, aprendemos e resolvemos problemas. Na escola, ela surge como uma oportunidade de aproximar os estudantes das linguagens e tecnologias que já fazem parte das suas vidas, preparando-os para um mundo em constante transformação. Incorporar a computação no currículo não significa apenas ensinar programação, mas sim explorar diferentes formas de usar a tecnologia para criar, investigar e aprender.

Foi nesse contexto que aconteceu o webinário “BNCC Computação: como colocar em prática na sua sala de aula”, que reuniu especialistas e professores de várias regiões do país em um diálogo inspirador sobre caminhos possíveis para tornar esse componente uma realidade nas salas de aula da educação básica. Parte das comemorações dos 10 anos da plataforma Escolas Conectadas, o evento buscou apoiar educadores que desejam transformar a orientação curricular – que será implementada em 2026 pelas redes de ensino – em práticas pedagógicas concretas.

O webinário contou com as presenças de Ivan Siqueira, professor e relator da BNCC Computação, e Audaci Maria de Lima, professora e vencedora do Prêmio Educador Nota 10 – além da mediação de Lia Roitburd, gerente de Projetos Educacionais da Fundação Telefônica Vivo. Também teve a participação ativa de mais de 600 educadores, que por meio do chat puderam trocar experiências, refletir sobre desafios e compartilhar soluções. 

A conversa trouxe ideias valiosas para professores que querem implementar a computação de maneira criativa e inovadora em suas práticas pedagógicas. Confira a seguir um resumo dos principais pontos debatidos durante o evento!

Pra começar: o que é a BNCC Computação?

É um documento normativo que complementa a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e traz um conjunto de elementos relacionados à computação para o currículo educacional brasileiro. Seu principal objetivo é estabelecer os direitos e objetivos de aprendizagem para todos os estudantes, em todas as etapas e de ensino. 

A estrutura da BNCC Computação é organizada em três eixos principais, que orientam sua composição e implementação: 

  • Pensamento Computacional: Foca no desenvolvimento da capacidade de resolver problemas de forma sistemática, incluindo conceitos como reconhecimento de padrões, abstração e criação de algoritmos;

  • Cultura Digital: Aborda o uso consciente, crítico e responsável das tecnologias digitais, sua influência na formação de valores e cidadania, e a importância da segurança e inclusão no ambiente on-line;
  • Mundo Digital: Investiga como os dados são gerados, transmitidos e armazenados, explorando os fundamentos do universo digital. 

Formação docente em computação

Um tema que percorreu todo o debate foi a necessidade de apoiar continuamente os professores, com espaços de formação e troca entre pares. Nesse sentido, Ivan Siqueira reforçou o convite para os novos cursos da plataforma Escolas Conectadas sobre computação na educação, dos quais ele é um dos autores. Conheça todos os cursos aqui.

“As formações, como essas que a Escolas Conectadas está oferecendo, vão trazer uma compreensão para o professor sobre o campo de conhecimento da computação”, complementa Audaci. “Ela é uma linguagem de conhecimento e eu preciso garantir que o estudante se desenvolva nessa linguagem, eu vou ser cobrada por isso como professora, é um direito dele aprender aquilo. Quando eu compreendo isso, o horizonte vai sendo ampliado tanto para trabalhar a computação plugada quanto a desplugada também.”

O desafio da implementação

Ainda que o complemento à BNCC aponte caminhos claros para o ensino de computação, muitos professores se perguntam como transformar essa diretriz em prática pedagógica. Barreiras técnicas e metodológicas e a falta de materiais didáticos ou apoio institucional são apontados como obstáculos desse processo.

“Não é só uma questão da formação docente, mas também é sobre estrutura para o professor poder atuar” afirma Ivan. “Ele tem que ter condições para conseguir se dedicar à formação continuada, para poder ofertar aquilo que está na legislação. É preciso criar as condições para que isso de fato aconteça, e para isso é preciso organização, preparação e assim por diante.”

Plugada ou desplugada

Os convidados reforçaram que a computação pode ser integrada em atividades simples, interdisciplinares e associadas ao cotidiano dos estudantes. E o melhor de tudo: não dependem necessariamente de conexão à internet ou ao uso de computadores.

Afinal, a BNCC Computação aborda tanto a computação plugada quanto a desplugada, oferecendo flexibilidade para sua implementação nas escolas, independentemente da infraestrutura tecnológica disponível.

Na educação infantil, por exemplo, pode-se usar um conjunto de blocos de encaixe de cores variadas “para ajudar as crianças a desenvolver a noção de pensamento lógico, que está relacionada ao pensamento computacional, sem o uso de qualquer ferramenta tecnológica”, como lembra Audaci.

“O desenvolvimento cognitivo pode ser estimulado em qualquer etapa, utilizando recursos como a lousa, papel, caneta e cores para ensinar conceitos como relações binárias, vetores e até o funcionamento de algoritmos de inteligência artificial”, sugere Ivan.

Pensamento computacional

Um dos eixos da BNCC Computação, o pensamento computacional também foi objeto de diversas reflexões durante o evento. Considerada por Audaci como “extremamente útil ao nosso dia a dia”, essa habilidade busca desenvolver a capacidade de abordar e resolver problemas de forma lógica e estruturada, utilizando tanto recursos digitais quanto atividades desplugadas.

“Uma boa maneira de exercer o pensamento computacional na rotina é pensar na lista de compras para a feira”, aponta Audaci. E complementa: “experimente, em uma formação docente, pedir para cada professor contar o seu passo a passo para fazer uma xícara de café”. Segundo ela, nesse simples exercício serão trabalhados os quatro pilares do pensamento computacional: decomposição, reconhecimento de padrões, abstração e algoritmo.

Para levar para a sala de aula

Com os conhecimentos adquiridos durante o webinário, reforçamos as seguintes sugestões aos educadores:

  • Aposte em projetos interdisciplinares que relacionem computação a outras áreas;
  • Use plataformas gratuitas que estimulem lógica e resolução de problemas;
  • Valorize o pensamento computacional em qualquer disciplina, mesmo sem computadores;
  • Busque comunidades de professores para trocar experiências e boas práticas.

Por fim, o aprendizado que fica é o seguinte: a computação já pode fazer parte da sua sala de aula hoje e não necessita de grandes investimentos – basta começar com passos simples, que geram impacto real no aprendizado dos estudantes.

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