3 dicas para criar aulas atraentes e engajar os estudantes

25/04/24

Investimento em diferentes metodologias e adoção de recursos tecnológicos são alguns caminhos para atrair a atenção dos estudantes em sala de aula

 

Um dos maiores desafios dos educadores atualmente é manter os estudantes engajados durante as aulas. Em um mundo cheio de informações e com a cultura digital em constante aceleração, competir pela atenção se torna uma tarefa árdua. Essa profusão de estímulos pode levar à dispersão da atenção dos alunos e, por isso, é essencial repensar as estratégias de ensino. 

Afinal, não basta que o educador compartilhe conteúdos com a turma; é preciso ir além para que os processos de ensino e aprendizagem sejam qualificados e motivadores para engajar os estudantes. É o que aponta Julia Andrade, fundadora da Ativa Educação e consultora pedagógica certificada em pensamento visível, uma abordagem educacional que foca em mostrar e transformar ideias em imagens, como desenhos, mapas mentais, rabiscos e gráficos, a fim de facilitar a compreensão dos estudantes.

“Ainda temos muitos livros didáticos com caráter tradicional, explicativo, descritivo, monótono, que sequer colocam perguntas para os estudantes refletirem. Então, o conhecimento de modo tradicional em sala de aula vai se tornando desinteressante, porque a cultura é muito mais dinâmica, informada, variada, atualizada do que os livros didáticos que parecem neandertais”, destaca.

De acordo com Julia, para superar essa lacuna entre as expectativas culturais dos alunos e os métodos de ensino, os professores precisam adotar uma abordagem mais interativa e investigativa. “Em vez de apenas transmitir informações, os educadores devem transformar o conteúdo em desafios a serem explorados pelos estudantes, utilizando boas perguntas, enigmas e conexões com o mundo real para tornar o aprendizado mais significativo”.

Leia mais: Professores da rede pública inspiram estudantes em sala de aula com o uso das tecnologias digitais

 

 

Estratégias para aulas estimulantes

Explorar estratégias para potencializar o engajamento dos estudantes em sala de aula é um objetivo para muitos educadores. A capacidade de capturar e manter a atenção dos alunos durante as aulas não apenas melhora o ambiente de aprendizagem, como também promove um maior aproveitamento do conteúdo. 

Confira abaixo 3 dicas de como criar aulas envolventes e estimulantes:

 

1- Recursos tecnológicos para promoção do pensamento visível          

Explorar ferramentas digitais que auxiliam na criação de atividades interativas e na documentação do progresso dos alunos é fundamental. Julia Andrade ressalta a importância das tecnologias que facilitam a documentação pedagógica, destacando sua eficácia na criação de atividades interativas e na avaliação do progresso dos alunos. 

“As tecnologias que ajudam a criar games, quizzes e perguntas on-line ajudam a fixar o conteúdo na cabeça do aluno. Por exemplo, o Kahoot, que serve não só para conhecimento factual como também ajuda a memorizar vocabulário. E o Mentimeter, recurso digital que faz um registro on-line do pensamento dos alunos”, explica.

Além disso, incentivar os estudantes a documentar suas aprendizagens é uma prática essencial para consolidar o conhecimento adquirido em sala de aula. Julia Andrade destaca que essa abordagem pode ser realizada por meio de resumos, portfólios e outras formas de registro. 

Uma ferramenta que pode facilitar esse processo é o Padledum mural colaborativo digital que permite o registro e a documentação das atividades realizadas em sala de aula. “Os painéis ou murais digitais são ferramentas muito poderosas, porque permitem que os estudantes possam documentar o processo de aprendizagem e torná-lo visível, por exemplo com perguntas que vão surgindo sobre o tema estudado ou com fotos e vídeos que permitem aprofundar o pensamento”, indica Julia. 

Na prática
A especialista usou o Padled em um projeto de oficinas de criatividade com alunos do 6° ao 9° ano de uma escola pública. O mural colaborativo digital foi utilizado para documentar a trajetória dos alunos, desde a exploração inicial de um espaço desconhecido até a criação de inventos como lanternas, incorporando conceitos de circuitos elétricos, energia e construção. Ao final do processo, os resultados foram compilados em um vídeo, demonstrando a evolução do aprendizado dos alunos. “Foi um processo bem lindo e potente que a gente documentou para que todos os educadores pudessem ter acesso”, diz a especialista. 

Leia mais: 5 ferramentas digitais para inovar no planejamento das aulas

 

2- Trabalhar com a diversidade

A especialista destaca a importância de reconhecer e lidar com a diversidade presente na sala de aula, ressaltando que, quando trabalhada de forma adequada, essa heterogeneidade pode enriquecer significativamente o processo de aprendizagem. 

Julia enfatiza a necessidade de adaptar o ensino para atender às diferentes necessidades e interesses dos alunos. “Olhar para inclusão exige muito conhecimento pedagógico do professor para saber diversificar conteúdo, instrução, materiais de apoio, preparar grupos de trabalho e direcionar a atenção para quem mais precisar”, ressalta.

Leia mais: Recomposição de aprendizagem: dos desafios à prática em sala de aula

 

3- Desenvolvimento de pensamento crítico e reflexões 

É considerável fazer uso de perguntas instigantes, enigmas e conexões com o mundo real para promover o pensamento crítico e a participação dos estudantes. Julia Andrade ressalta a importância de estimular a reflexão dos alunos através dessas estratégias.

“Desenvolver trabalhos em grupos potentes, pensando em como agrupar os estudantes de forma positiva e produtiva, como fazer um aprender com o outro na sua heterogeneidade, e como ensinar cada estudante a desempenhar seu papel, essa é uma ferramenta muito poderosa”, pontua. 

A especialista ressalta que uma abordagem exitosa é utilizar materiais didáticos, como livros e vídeos, como pontos de partida para despertar a reflexão e o questionamento dos estudantes.

Formação continuada é caminho essencial 

A formação continuada dos professores surge como um elemento crucial para enfrentar esses desafios. Julia enfatiza a importância de capacitar os educadores para que possam transformar o conhecimento em perguntas essenciais em sala de aula, promovendo o engajamento dos alunos por meio de projetos relevantes e atividades estimulantes. 

“Com a formação continuada, os professores podem ir além do que foi aprendido nos cursos de pedagogia ou nas licenciaturas e aprendem a transformar o conhecimento em perguntas que guiarão o ensino em sala de aula”, enfatiza.

É com a visão de transformar a escola nesse lugar transformador que a Fundação Telefônica Vivo criou a plataforma Escolas Conectadas, que faz parte do ProFuturo, o programa global de educação em parceria com a Fundação “la Caixa”, e tem como objetivo a formação à distância, a troca entre educadores e o estímulo de práticas inovadoras a partir do uso de tecnologias digitais.

 

 

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